B.E: A atividade comercial vem crescendo de modo significativo nos últimos anos. Qual à sua avaliação sobre o desempenho do setor?
Paulo Motta: De fato o comércio vem crescendo há mais de 2 anos. Houve uma redução da atividade no final de 2008, por conta da crise internacional que afetou o varejo e fez as vendas caírem em dezembro, mas mesmo assim o acumulado do ano foi positivo, pois entre janeiro e setembro o crescimento das vendas foi muito bom. A partir de abril, maio de 2009 a atividade voltou a crescer com força e a vinda de novas empresas e grupos estrangeiros motivou o setor. Nesse período, foram inaugurados novos Shoppings, grupos estrangeiros adquiriram empresas locais, como foi o caso da G.Barbosa, teve a chegada das Casas Bahia e a fusão da Insinuante com a Ricardo Eletro, tudo isso motivou o setor. O comércio vem crescendo acima de 7% há mais de dois anos. Houve um período complicado da Copa do Mundo, que alavancou as vendas no início, mas depois veio a ressaca de estoque e o setor “verde-amarelo” sofreu um pouco, mas a tendência de crescimento permanece
B.E: Em sua opinião a vinda dessas empresas de fora do estado é bom para Bahia?
P.M: Essa questão tem de ser vista por dois ângulos. A vinda de novas empresas motiva o comércio, amplia os negócios e isso é bom. Mas tem a questão dos incentivos. As vezes o governo fornece determinados incentivos para uma empresa de fora se instalar e isso pode estabelecer um tratamento diferenciado. Por exemplo, no caso das Casas Bahia, ao que parece, o governo deu a ela tratamento de atacadista para instalar seu galpão em Camaçari. Se as Casas Bahia fosse abastecer todas as empresas, tudo bem, mas se for só para abastecer ela mesma, seus preços vão ficar mais competitivos e vai prejudicar outras empresas. Nesses casos deveria haver um estudo, como se faz em outros países, de impacto de vizinhança, ou seja, a verificação se as empresas não estão se implantando em locais com sobrecarga de varejo, para evitar que haja uma concorrência predadora. A legislação sobre impacto de vizinhança deveria ser elaborada na Câmara de Vereadores.
B.E: Qual a sua expectativa de crescimento para o comércio este ano?
P.M: O ano passado o comércio cresceu 9,6%, este ano vai crescer 7%, 7,5%. É verdade que no ano passado o cenário era de queda de juros e isso gera mais confiança, o crédito é dado com mais segurança, pois sobra mais dinheiro para o cliente. Agora o quadro se inverteu, os juros estão aumentando e se fala que no final do ano a Selic estará em 12%, e isso é a base não é a ponta onde o juro é maior. Por isso estamos um pouco mais cautelosos e deve haver um certo contingenciamento, mas assim mesmo comércio vai crescer.
B.E: Qual à sua previsão para o aumento de vendas no dia dos pais?
P.M: A previsão é positiva, o comércio deve crescer 8%. Houve um crescimento nos estoques e as lojas estão com uma maior quantidade de mercadorias.
B.E: Sobre as eleições na Federação do Comércio do Estado da Bahia, ao que parece o mandato da atual diretoria acabou?
P.M: Acabou em 23 de junho e aí aconteceu uma coisa muito estranha. A Presidência havia convocado uma reunião do Conselho de Representantes para o dia 21 de janeiro para discutir a dilatação do mandato da atual diretoria. Instalada a assembléia o Presidente Carlos Amaral leu um despacho do juiz, dilatando os atuais mandatos e tornando inútil a convocação. Ou seja, para que convocar a assembléia se ele já havia solicitado a justiça a dilatação. É um processo estranho, pois a dilatação foi por tempo indeterminado, até sair a decisão do mérito, e enquanto isso o presidente age como se nada tivesse acontecendo, fazendo inclusive festas, como a do comerciante do ano, enquanto a Federação do Comércio passa por uma crise política e jurídica. O homenageado foi o Eduardo Moraes, da Associação Comercial que se aceitou a homenagem é porque está apoiando o Amaral.
B.E: E como fica a situação agora?
P.M: Vamos solicitar ao juiz rever essa decisão de dilatar o mandato.
B.E: Qual foi a origem dessa crise na Federação do Comércio?
P.M: Quando começou o processo eleitoral, registramos a nossa chapa, Dias depois eles registraram a deles, incluindo nela companheiros da nossa chapa. Aí resolveram impugnar esses companheiros. Impugnaram 17 diretores da atual diretoria. Mas não adiantou, pois dos 28 sindicatos 16 estão conosco e 4 não puderam votar porque eles impugnaram também, dizendo que estavam irregulares. Ora, cabe a Federação manter seu associados regulares. Mas o pior é que todos os pareceres para que fossem impugnados os 17 membros e 4 sindicatos foram pareceres opinativos dados por Aquinoel Borges, advogado da Federação do Comércio, e não foram submetidos à instância superior, mas foram acatados pela justiça. Mas nos estamos catalogando informações para pedir a anulação da eleição. E na assembléia ordinária do dia 21 de junho, cujo objetivo era aprovar o balanço de 2009 e estabelecer a previsão orçamentária para 2010, eu, como, conselheiro, pedi vistas do processo.
B.E: Carlos Amaral disse em entrevista ao Bahia Econômica que você quer implantar uma dinastia na Federação, pois Deraldo Motta, seu pai foi presidente por 31 ano?
P.M: Isso foi um desrespeito aos que passaram pela federação. Deraldo Motta ficou lá por 31 anos, porque ninguém queria ocupar o lugar, e foi um presidente operoso. Depois veio Nelson Dahia, que ficou 15 anos, e fez uma gestão de muitas realizações. Amaral está lá há dezoito anos e quer continuar, não quer sair de jeito nenhum. Agora é verdade que há um vício no sistema sindical, pois os empresários não querem assumir. A atual diretoria que dividiu a federação, criou um racha na federação. Com a dilatação do mandato o Sesc e o Senai continuam sendo dirigidos pelo presidente atual, mas os mandatos dos membros do conselho das entidades termina 10 de agosto.
B.E: Sua chapa estaria disposta a retirar sua candidatura em nome de um terceiro?
P.M: Não, porque temos a maioria. Temos compromisso com 16 sindicatos e estamos confiantes que vamos ganhar as eleições.
B.E: suas considerações finais.
P.M: O grupo de 16 sindicatos que representamos quer uma Federação do Comércio em que o empresário possa se sentir verdadeiramente representado.