COLUNISTAS

QUAIS OS SETORES QUE O GOVERNADOR ELEITO RUI COSTA DEVE MUDAR NA ÁREA ECONÔMICA?

FRASE DO DIA

“É hora de Dilma cristalizar ainda mais as alianças com os movimentos sociais, com a juventude, com o povo, para combater essa oposição que rejeita o nosso projeto sem nada apresentar para contrapor. Com os programas sociais iniciados por Lula e hoje Dilma, foi quando mais se combateu as desigualdades sociais, nada realizado nesse sentido, por administrações anteriores”

Luis Caetano
Ex-Prefeito de camaçari 

O CRESCIMENTO DO PIB BAIANO

O crescimento de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia verificado no primeiro trimestre de 2010 demonstrou que a economia baiana está aquecida e que, acompanhando o Brasil, deve crescer entre 6 e 6,5% este ano.Foi um bom resultado, mas precisa ser qualificado para que não haja excesso de ufanismo.
 
A outrora sisuda Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, responsável pela elaboração dos dados, apressou-se, por exemplo, em destacar que o PIB baiano cresceu mais que o pernambucano, que teve incremento de 7,8%, e que o cearense, que cresceu 8,92%. Mas não realçou que a Bahia cresceu mais que esses estados porque o cálculo foi feito em relação a uma base deprimida. No primeiro trimestre de 2009, base da comparação, a Bahia apresentava uma recessão de 0,5%, enquanto  Pernambuco crescia 5,1% e o Ceará 3,0%.
 
Na verdade, na comparação mais adequada, que mede o crescimento do PIB nos últimos doze meses, a Bahia ainda apresenta menor crescimento entre os principais estados do Nordeste. Efetivamente, no período de março de 2009 a março de 2010  o crescimento da economia baiana foi 4,1%, enquanto a economia pernambucana apresentou incremento de 5,3% e a cearense de 4,4%.
 
Mas, apesar disso, o crescimento da economia baiana foi exuberante.  A indústria, embora favorecida pelo efeito matemático, pois no primeiro trimestre de 2009 teve um desempenho negativo de 5,8%, recuperou-se e cresceu 13,4% no primeiro trimestre de 2010. A indústria de transformação também recuperou-se crescendo 14%, mas por conta de sua especialização em commodities ainda sofre com os efeitos da crise européia, e seu desempenho foi inferior à média nacional, superior a 17%. Além disso, há  o que comemorar.
 
O setor da construção civil continua acelerando e cresceu 15% e o setor agropecuário explodiu num crescimento de 14,6%, sempre em relação aos primeiros três meses de 2009. Mas a agropecuária representa apenas 10% do PIB da Bahia, por isso o responsável pelo crescimento de 9,5% foi mesmo o setor serviços, que representa 60% do PIB baiano, e cresceu  7,7%, acima da média nacional de 5,9%. Nesse item está incluído o comércio e as atividades de transporte e armazenamento, que cresceram em torno de 15%. O fato é que a economia baiana começa a embalar e, a depender do crescimento nos próximos meses, pode voltar a ocupar a liderança no crescimento econômico da região Nordeste.
 
BANCO ECONÔMICO
 
O Banco Central precisa finalizar o espólio imobiliário do Banco Econômico. Não há justificativa plausível para a interventoria, que administra os bens da massa falida,  permanecer há mais de dez anos com uma carteira imobiliária que já deveria estar desativada de há muito. O lógico seria que o BC convocasse os interessados para negociar as pendências liberando as escrituras, mas a lógica não parece ser o parâmetro da instituição. O Banco Central precisa vir a público explicar quais as vantagens ou os óbices que estão a comandar sua inoperância.
 
ORGANIZANDO SALVADOR
 
Salvador ainda parece uma cidade provinciana daquelas que se reclama da desorganização, mas se reclama mais ainda quando se quer organizar. É o caso do decreto da Prefeitura de Salvador que restringe a carga e descarga a certos horários, medida adotada pelas principais capitais do mundo e que melhora sobremaneira o trânsito nas cidades. Carga e descarga sô pode ser feita à noite, a partir das nove e  não há como transigir nessa questão, há, sim, que implantar uma fiscalização séria e multas altas para quem não cumprir a lei. Outra medida correta adotada pela Prefeitura, agora que a praia está livre de quase todas as barracas, é aquela referente à multa aos proprietários de imóveis degradados ao longo da orla. Muitos proprietários de casas e terrenos simplesmente abandonam esses imóveis, deixando-os como reserva de valor e, com isso, degradam a orla. No caso, é preciso multar e com valores elevados. Pequenas intervenções como essas ajudam uma cidade que prima pela desorganização.
 
PALESTRA
 
Recentemente fiz uma palestra para uma empresa na área da construção civil e foquei minha fala na necessidade de diferenciação. Num ambiente altamente competitivo como é atualmente o mercado imobiliário baiano,  as empresas que se diferenciam se posicionam melhor. Diferenciar-se é oferecer um produto, que tenha um “plus”, um produto que ofereça algo original, seja na localização, na planta, nos itens de lazer e serviços, no financiamento, ou mesmo na campanha de marketing e na qualificação dos corretores. Nunca é demais repetir que as baianas do acarajé foram capazes de diferenciar um produto quase indiferenciável: um bolinho de feijão cozido no dendê. Assim, o acarajé de Cira é diferente do Dinha e só o consumidor pode dizer qual é o melhor. É preciso, portanto, incutir a cultura da diferenciação não só nas empresas de construção civil, mas no comércio, shoppings e em todas as áreas. 



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