COLUNISTAS

A CANDIDATURA DE MARINA SILVA PODE SER BOA PARA A ECONOMIA BRASILEIRA?

FRASE DO DIA

"A Petrobras é muito maior que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos, crimes - ou, se for julgado, que se mostre que foi condenado. Isso não significa uma condenação da empresa. Não se pode confundir as pessoas com as instituições".

Presidente Dilma Rousseff ao comentar escândalos envolvendo a estatal.


O CRESCIMENTO DO PIB BAIANO

O crescimento de 9,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia verificado no primeiro trimestre de 2010 demonstrou que a economia baiana está aquecida e que, acompanhando o Brasil, deve crescer entre 6 e 6,5% este ano.Foi um bom resultado, mas precisa ser qualificado para que não haja excesso de ufanismo.
 
A outrora sisuda Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, responsável pela elaboração dos dados, apressou-se, por exemplo, em destacar que o PIB baiano cresceu mais que o pernambucano, que teve incremento de 7,8%, e que o cearense, que cresceu 8,92%. Mas não realçou que a Bahia cresceu mais que esses estados porque o cálculo foi feito em relação a uma base deprimida. No primeiro trimestre de 2009, base da comparação, a Bahia apresentava uma recessão de 0,5%, enquanto  Pernambuco crescia 5,1% e o Ceará 3,0%.
 
Na verdade, na comparação mais adequada, que mede o crescimento do PIB nos últimos doze meses, a Bahia ainda apresenta menor crescimento entre os principais estados do Nordeste. Efetivamente, no período de março de 2009 a março de 2010  o crescimento da economia baiana foi 4,1%, enquanto a economia pernambucana apresentou incremento de 5,3% e a cearense de 4,4%.
 
Mas, apesar disso, o crescimento da economia baiana foi exuberante.  A indústria, embora favorecida pelo efeito matemático, pois no primeiro trimestre de 2009 teve um desempenho negativo de 5,8%, recuperou-se e cresceu 13,4% no primeiro trimestre de 2010. A indústria de transformação também recuperou-se crescendo 14%, mas por conta de sua especialização em commodities ainda sofre com os efeitos da crise européia, e seu desempenho foi inferior à média nacional, superior a 17%. Além disso, há  o que comemorar.
 
O setor da construção civil continua acelerando e cresceu 15% e o setor agropecuário explodiu num crescimento de 14,6%, sempre em relação aos primeiros três meses de 2009. Mas a agropecuária representa apenas 10% do PIB da Bahia, por isso o responsável pelo crescimento de 9,5% foi mesmo o setor serviços, que representa 60% do PIB baiano, e cresceu  7,7%, acima da média nacional de 5,9%. Nesse item está incluído o comércio e as atividades de transporte e armazenamento, que cresceram em torno de 15%. O fato é que a economia baiana começa a embalar e, a depender do crescimento nos próximos meses, pode voltar a ocupar a liderança no crescimento econômico da região Nordeste.
 
BANCO ECONÔMICO
 
O Banco Central precisa finalizar o espólio imobiliário do Banco Econômico. Não há justificativa plausível para a interventoria, que administra os bens da massa falida,  permanecer há mais de dez anos com uma carteira imobiliária que já deveria estar desativada de há muito. O lógico seria que o BC convocasse os interessados para negociar as pendências liberando as escrituras, mas a lógica não parece ser o parâmetro da instituição. O Banco Central precisa vir a público explicar quais as vantagens ou os óbices que estão a comandar sua inoperância.
 
ORGANIZANDO SALVADOR
 
Salvador ainda parece uma cidade provinciana daquelas que se reclama da desorganização, mas se reclama mais ainda quando se quer organizar. É o caso do decreto da Prefeitura de Salvador que restringe a carga e descarga a certos horários, medida adotada pelas principais capitais do mundo e que melhora sobremaneira o trânsito nas cidades. Carga e descarga sô pode ser feita à noite, a partir das nove e  não há como transigir nessa questão, há, sim, que implantar uma fiscalização séria e multas altas para quem não cumprir a lei. Outra medida correta adotada pela Prefeitura, agora que a praia está livre de quase todas as barracas, é aquela referente à multa aos proprietários de imóveis degradados ao longo da orla. Muitos proprietários de casas e terrenos simplesmente abandonam esses imóveis, deixando-os como reserva de valor e, com isso, degradam a orla. No caso, é preciso multar e com valores elevados. Pequenas intervenções como essas ajudam uma cidade que prima pela desorganização.
 
PALESTRA
 
Recentemente fiz uma palestra para uma empresa na área da construção civil e foquei minha fala na necessidade de diferenciação. Num ambiente altamente competitivo como é atualmente o mercado imobiliário baiano,  as empresas que se diferenciam se posicionam melhor. Diferenciar-se é oferecer um produto, que tenha um “plus”, um produto que ofereça algo original, seja na localização, na planta, nos itens de lazer e serviços, no financiamento, ou mesmo na campanha de marketing e na qualificação dos corretores. Nunca é demais repetir que as baianas do acarajé foram capazes de diferenciar um produto quase indiferenciável: um bolinho de feijão cozido no dendê. Assim, o acarajé de Cira é diferente do Dinha e só o consumidor pode dizer qual é o melhor. É preciso, portanto, incutir a cultura da diferenciação não só nas empresas de construção civil, mas no comércio, shoppings e em todas as áreas.