COLUNISTAS

QUAIS OS SETORES QUE O GOVERNADOR ELEITO RUI COSTA DEVE MUDAR NA ÁREA ECONÔMICA?

FRASE DO DIA

“A vida é assim. Acaba, é duro, quando a caneta deixa de funcionar",
 
Lídice da Matta para o governador Jaques Wagner que deixa o governo em 1o de janeiro.

VOTE NO SPREAD


O Comitê de Política Monetária aumentou a taxa de juros de em 0,5%, elevando-a para 10,75% ao ano. O aumento foi excessivo, pois tanto o crescimento econômico quanto a inflação estão desacelerando-se. O Índice de Atividade Econômica (IBCBr) do Banco Central interrompeu em maio uma série de 16 meses de crescimento e a inflação, medida pelo IPCA, estabilizou-se em junho. Não havia razão, portanto, para um aumento da taxa de tal magnitude.

A ortodoxia do Banco Central explica o aumento, mas não explica a manutenção de um spread bancário dez vezes maior que a taxa de juros. O “spread” explica porque o leitor recebe por ano cerca de 10% de rentabilidade nas suas aplicações financeiras e paga até 140% de juros quando toma um empréstimo no banco. O spread é a diferença entre os juros pagos pelos bancos na captação de recursos e a taxa aplicada por eles nos empréstimos que concedem.

O spread brasileiro é um dos maiores do mundo, cerca de 10 vezes maior que o dos países desenvolvidos, e fica no mesmo patamar de países muito pobres, com sistema financeiro incipiente como Madagáscar, Paraguai, Peru e Quirguistão. O problema de crédito das empresas brasileiras nãotem origem na Selic, mas sim no elevado spread cobrado pelos bancos. Os banqueiros contam uma história da carochinha e, a depender das circunstâncias, dizem que spread é alto ora por culpa da inadimplência, ora por culpa dos impostos e do compulsório. Não cola, nada disso é capaz de explicar um spread até 15 vezes maior que o juro básico da economia.

A explicação do spread é uma só: os superlucros dos bancos brasileiros. O engraçado é que nem Lula, nem FHC foram capazes de mexer nesse sistema que aumenta o custo Brasil e desestimula o investimento. De vez em quando, o governo diz que o spread vai cair com a concorrência no mercado.

Lorota,o mercado bancário é oligopolizado e tanto o Banco do Brasil, quanto a Caixa Econômica fazem parte do oligopólio. Em suma: o spread só vai diminuir com intervenção do Estado e a fixação de patamares máximos para cada modalidade de crédito. Se você, como eu, está indignado com esse spread abusivo, exija que seu candidato presidente se posicione sobre o assunto e vote contra o spread.

                                                                                                                       Salvador e o BRT

O Superintendente do Sindicato de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps), Horácio Brasil, deu uma entrevista esclarecedora ao portal Bahia Econômica sobre o BRT – Bus Rapid Transit, sistema de transporte de massa que vai ser implantado em Salvador para a Copa do Mundo e quase me convenceu que o sistema é o melhor para a cidade. Mas faltou explicar como o BRT vai funcionar nos locais onde não houver corredor exclusivo para os ônibus.

Nesses locais, os ônibus vão rodar no meio dos carros, atravancando o tráfego e, mesmo assim, vão cumprir horário? No projeto, está prevista uma linha do Aeroporto até a Lapa e uma ligação da Calçada até a Pituba, cruzando o Iguatemi, mas, afora a canaleta exclusiva da Paralela, os ônibus de 160 a 270 lugares vão rodar no meio do engarrafamento? E como se fará a ligação com o metrô, que um dia vai ter de funcionar? E como a população de Cazajeiras, uma outra cidade dentro de Salvador, vai ser contemplada com o projeto? Deve-se admitir que a relação custo/tempo de implantação do projeto é a melhor possível, e isso quaseme convenceu, mas, no restante, o projeto gera muitas perguntas e poucas respostas.

                                                                                                                            Lula e a espinha de peixe

O presidente Lula deu uma declaração das mais importantes para o País, esta semana, quando veio visitar a Bahia. Questionado sobre a Ferrovia Oeste-Leste, o presidente disse que estava doido para iniciar a construção e que seu objetivo era fazer uma espécie de espinha de peixe, interligando várias regiões.

Ao que parece, o presidente quis sugerir que a Ferrovia NorteSul seria o eixo central e outras ferrovias, como a Transnordestina , que corta os estados de Piauí, Ceará e Pernambuco, eaOeste-Leste,que ligaria o município de Figueirópolis, em Goiás, a Ilhéus, cortando todo o território baiano, seriam os ramais horizontais que levariam as cargas aos portos. Se Lula tornar essas obras irreversíveis, vai entrar para a história por resgatar a estrutura ferroviária brasileira e dar um novo rumo ao escoamento da produção no País.

Mas vale lembrar que, se a espinha de peixe ficar pronta, as opções para o escoamento de cargas serão muitas e aí vai ser mais competitivo quem tiver portos competitivos. Assim, se a Bahia não correr, pode se engasgar com a espinha de peixe.

A ponte e o trem-bala


O trem-bala ligando o Rio Janeiro a São Paulo e Campinas vai custar em torno de R$ 34 bilhões. Com tal montante de recursos, seria possível construir 22 pontes Salvador-Itaparica. Se o Tribunal de Contas da União mantiver sua posição, determinando que o governo não poderá financiar mais que 60% da obra e que não poderá haver repasse à tarifa em  caso de frustração de demanda, não vai aparecer consórcio interessado, mesmo a tarifa prevista sendo de R$ 199. Pois bem, este colunista aposta que se o governo federal financiar 60% da ponte Salvador-Itaparica e permitir um pedágio de R$ 199 vai ser mais fácil aparecer interessado para a ponte do que para o trem-bala.



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