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Agora virou moda dizer que a população de Salvador está com auto-estima baixa. Não creio nisso. A auto-estima dos soteropolitanos é uma das mias infladas do mundo e suas queixas e resmungos refletem apenas a indignação de quem está vendo sua cidade degradar-se. A população de Salvador está é indignada com a inércia do poder público em todas as suas esferas. É inadmissível, por exemplo, que a terceira maior cidade do pais ainda esteja a discutir qual o mais adequado projeto de mobilidade urbana. E inaceitável que o poder público não seja capaz de colocar um metrô de seis quilômetros nos trilhos, enquanto o metrô de Recife roda desde 1983 e já tem 40 quilômetros de extensão. É inconcebível que até agora não haja um projeto para a orla de Salvador e que os projetos que se apresentam sejam bombardeados por todos os lados sem que se tome qualquer decisão. Aliás, parece ser impossível fazer qualquer intervenção na área urbana de Salvador, por conta dos interesses econômicos, do jogo político na Câmara de Vereadores, da paranóia ambientalista, da defesa pseudo-preservacionista e da irracionalidade de algumas ações do Ministério Público. Tudo isso impede Salvador de andar e, incapaz de decidir, o poder público se retraí a cada mobilização deste ou daquele grupo que, no mais das vezes, não representa o desejo da cidade. Governar é vencer resistências e implantar um projeto de cidade. Infelizmente, a Prefeitura mostra-se incapaz de agir nesse sentido e o governo do Estado parece ter lavado as mãos em relação ao destino da cidade. A população não quer saber se o prefeito é deste ou daquele partido, quer simplesmente ação e planejamento. Não falta auto-estima a Salvador, falta gerenciamento, falta decisão, falta colocar quadro técnicos nos postos chaves, falta um choque de gestão capaz de tirar dinheiro de áreas supérfluas direcionando-as para as áreas essenciais, falta a união de todas as esferas do poder público e o apoio da sociedade para que seja possível resgatar, assim como está sendo feito no Rio de Janeiro, não a auto-estima, que essa a população nunca perdeu, mas a dignidade de Salvador.