
O ano de 2012 começa sob o signo da incerteza. A crise europeia ainda está longe de uma solução e não há elementos para prever seu desfecho. O Brasil já foi afetado e o desempenho da sua economia nos dois últimos trimestres do ano beirou a estagnação. Mas os fundamentos da economia brasileira são sólidos e o governo Dilma está atento e já vem adotando medidas de estímulo à economia, que devem ser ampliadas, ao tempo em que, corajosamente, afrouxa a política monetária com a queda da taxa de juros. Nesse cenário é possível prever um primeiro semestre fraco e a recuperação da economia brasileira no segundo semestre. A economia baiana seguirá um caminho semelhante, mas com suas especificidades. Em 2011, o PIB da Bahia cresceu 2,5%, menos que a média nacional, por conta da queda de 5% na indústria de transformação. Mas todos os demais setores cresceram com destaque para a agropecuária (8,5%), o comércio (7,75) e a construção civil (7,6%). Esse contexto desenha um cenário preocupante, pois a retração do mercado internacional pode continuar deprimindo a indústria baiana, fortemente voltada para as exportações. Mas o aumento do preços da commodities, o desempenho da agropecuária, cujos preços da maioria dos produtos estão em níveis elevados, e o comércio, que deve continuar se beneficiando da entrada de novos consumidores na classe C, podem viabilizar um certo nível crescimento do PIB. O mercado imobiliário baiano manterá o dinamismo, mas num patamar de vendas da ordem de 7 mil unidades. Na verdade, será um ano em que o número de lançamentos será menor, com as empresas tentando desovar os estoques, mas o crescimento do setor, que será morno no primeiro semestre, deve esquentar no segundo trimestre do ano. Nesse cenário, dois movimentos podem dar algum fôlego ao crescimento da economia baiana. O primeiro refere-se aos investimentos públicos relacionados com os programas de mobilidade urbana, que devem, precisam, deslanchar nesse ano de 2012. O segundo tem a ver com a política de atração de investimentos do governo do Estado que começa a se materializar, ampliando a diversificação da indústria. Em suma: não há motivos para pessimismos exacerbados, nem para otimismos excessivos, é hora, sim, de planejar o futuro com realismo e pés no chão. E esperar que Deus e os orixás concedam aos brasileiros e aos baianos um ano de paz e prosperidade.