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“A Bahia tem hoje a maior capacidade do mundo para a produção de cacau fino e de integrar turismo, conservação do meio ambiente, cultura, cacau e chocolate. Ou seja, temos razão de sobra para investirmos na criação desta aliança e quem sabe posteriormente avançar para uma cooperação com a África e a Ásia”

Durval Libânio, presidente da Câmara Setorial do Cacau e do Instituto Cabruca


 
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WAGNER E A CULTURA NA BAHIA



O governador Jaques Wagner precisa redefinir a política cultural do Estado. No sexto ano do seu governo, pouco há apresentar nessa área, a não ser uma tese algo indefinida sobre a necessidade de maior territorialização das ações culturais ou de maior interiorização do processo cultural.

Enquanto se discute em  seminários recorrentes essa conceituação, pouco se faz de novo na política cultural do estado. Em quase seis anos, não foi promovido um evento cultural de porte, se deu fim a Prêmio Jorge Amado de Literatura, mas nada se pôs no lugar, não houve uma exposição plástica de peso, nenhum festival de cinema, arte ou teatro de envergadura nacional, nenhum show internacional que tenha passado por aqui, nada que possa colocar a Bahia no lugar de destaque que ela ocupa no cenário nacional.  Afora o Carnaval e o festival de Verão, pouco há apresentar, quando se fala em cultura e entretenimento na Bahia.

O pior é que sempre que o secretário de Cultura, Albino Rubim, se pronuncia fica a impressão de que a cultura na Bahia existe apenas como categoria de análise e não como obra em si.

Dou como exemplo o setor que mais cresce no mundo: o das indústrias criativas. Em 2006 tive oportunidade de acompanhar o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, para ver o prédio  da futura sede do CIEC - Centro Internacional da Economia Criativa (CIEC), que, custeado pelo Ministério da Cultura, funcionaria em espaço cedido pelo governo do estado da Bahia.

A visita dava continuidade às recomendações do Fórum Internacional das Indústrias Criativas, realizado em Salvador em 2005, e que escolheu a cidade para sediar o centro internacional por ver nela um “lócus de enorme potencial para essa indústria em ascensão no mundo”. Salvador fora reconhecida então como a cidade brasileira historicamente mais preparada para desenvolver uma cadeia de economia criativa, e, por isso, caberia instalar aqui um centro internacional.

Pois bem, passados quase seis anos daquela visita, nada foi feito na Bahia com relação a  implantação do CIEC - Centro Internacional da Economia Criativa (CIEC), não há uma política de estímulo ao setor e nenhuma das recomendações do fórum foram postas em prática. Com isso, as indústrias criativas começam a perder peso na formação do PIB estadual, e estados pouco tradicionais passam a, proporcionalmente, a gerar mais produto que nosso estado. Recentemente o sistema Firjan – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro  divulgou  o PIB da Indústria Criativa no Brasil. 

A Bahia ficou em sétimo lugar em 2010.  O PIB do setor na Bahia representou apenas 3,8% do PIB nacional do setor. E as indústrias criativas contribuíram com 1,4% do PIB baiano, enquanto em São Paulo e Rio este percentual foi da ordem de 3,5%, em Santa Catarina 2,2% e em Pernambuco 1,6%.
Ou seja, a terra da criatividade está perdendo espaço no que se refere à indústria criativa. E, no entanto, essa indústria emprega milhares de pessoas na Bahia, e envolve, entre outros, os setores de Arquitetura, Artes Cênicas, Artes Visuais, Design, Expressões Culturais, Filme & Vídeo, Mercado Editorial, Moda, Música, Publicidade, Software & Computação e TV & Rádio.
O exemplo foi o das indústrias criativas, mas poderia ser em qualquer outra área do cenário cultural baiano. A verdade é que a primeira gestão da Secretária de Cultura, com Márcio Meirelles, foi marcada por polêmicas inúteis, pouquíssimas realizações e a pulverização dos recursos da pasta em minúsculas ações que se perdem na territorialização proposta. E, pelo andar da carruagem, a gestão atual permanece ancorada mais na análise conceitual do fenômeno cultural do que no fazer cultura. 

No entanto,  muito se poderia se fazer pela cultura da Bahia, a exemplo da criação de um pólo de cinema, da disseminação nacional do teatro baiano, da criação da editora que nunca tivemos , da montagem de uma bienal nacional de artes plásticas e muito mais.

O  governo Jaques Wagner foi capaz de  redefinir a gestão em áreas fundamentais como  infraestrutura e atração de investimentos, melhorando sobremaneira o desempenho nessas áreas. Se não fizer o mesmo na área cultural, se não redefinir a política cultural do Estado tornando-a um instrumento de inserção  econômica e social de sua população e de sua afirmação como povo,  vai entrar para a história como um dos governadores que menos contribuíram para engrandecer culturalmente a Bahia.  

Armando Avena é escritor, economista e membro da Academia de Letras da Bahia. 

 
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