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“A Bahia tem hoje a maior capacidade do mundo para a produção de cacau fino e de integrar turismo, conservação do meio ambiente, cultura, cacau e chocolate. Ou seja, temos razão de sobra para investirmos na criação desta aliança e quem sabe posteriormente avançar para uma cooperação com a África e a Ásia”

Durval Libânio, presidente da Câmara Setorial do Cacau e do Instituto Cabruca


 
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entrevista
 
Entrevistas realizadas pelo site Bahia Econômica com as principais personalidades baianas e nacionais
 

ARMANDO AVENA: O PIB DA BAHIA NÃO CRESCE MAIS POR FALTA DE INVESTIMENTOS EM SALVADOR


B.E: Como foi o desempenho da economia baiana em 2011?
Armando Avena: 
O PIB da Bahia vai crescer 2,5%. É um crescimento expressivo, especialmente se consideramos que calculado em relação a uma base elevada, pois em 2010 o estado cresceu 7,5%. Mas, por conta do desempenho do setor industrial,  a economia baiana vai crescer menos que a média nacional. Essa é a noticia ruim e demonstra que a Bahia precisa diversificar sua economia e potencializar seu maior mercado que é Salvador.  Mas há duas boas notícias.  A primeira é que a política de atração de empresas do governo do estado deslanchou e esses investimentos podem garantir um crescimento maior do PIB nos próximos anos.  Nessa área o governador Jaques Wagner tem o que comemorar, pois dezenas de novos investimentos foram anunciados em 2011. A outra é que todos os setores da economia cresceram, com exceção da indústria de transformação. O PIB da agropecuária vai crescer 8,5%  em 2011 e a Bahia vai ter a maior safra de grãos de sua história, da ordem de 7,6 milhões de toneladas.  Já a Construção Civil  crescerá 7,6% e o Comércio, apesar da desaceleração verificada nos meses de setembro e outubro, vai fechar o ano com algo como 7,5% de crescimento. O crescimento das exportações também foi bom, cerca de 25% mais que 2010.

B.E: Mas se esses setores estão crescendo por que o PIB da Bahia vai ficar abaixo da média nacional ?
A.A:
 Conjunturalmente por causa do desempenho do setor industrial, mais especificamente por causa da indústria de transformação, que vai registrar uma queda de 5% em 2011, desempenho bem inferior ao verificado nacionalmente. A indústria baiana é muito concentrada em poucos ramos especialmente no segmento de petróleo e petroquímica, que sofreu muito com a crise europeia e com a desvalorização do dólar. Aliás, a situação seria ainda pior, não fosse o aumento no preço de algumas commoditties. Isso afetou parte da economia e reduziu a arrecadação do Estado, muito concentrada na cadeia petróleo. Agora veja, já há sinais positivos, a desvalorização recente do real está alavancando o setor exportador e, se a crise internacional  não se agravar, a partir do segundo semestre de 2012, ou antes, o setor industrial baiano deve se recuperar. Os novos investimentos de empresas como a Ford, Braskem, JAC Mottors, Gamesa e muitas outras e, especialmente, a implantação do  Pólo Acrílico, vão diversificar mais a indústria baiana. Ou seja, o governo está agindo corretamente no sentido de elevar a taxa de investimentos e ampliar o crescimento da economia baiana. Mas falta atacar outro fator: Salvador e sua economia deficiente. O PIB da Bahia não cresce mais por falta de investimentos em Salvador.

B.E: Então, é Salvador que está impedindo a Bahia de crescer mais?
A.A:  Exatamente. O PIB de Salvador está crescendo proporcionalmente menos que o PIB baiano.  Isto porque a taxa de investimento da economia soteropolitana é baixa.  Refiro-me não apenas à taxa de investimento privado, mas também aos projetos públicos. Veja, Salvador gera cerca de 25% do PIB baiano, mas menos de 5% dos novos investimentos se dirigem para a cidade. Só quem investe na cidade atualmente são os empresários da Construcão Civil.  As grandes redes de comércio local fecharam. O polo de confecção não existe mais, não há indústrias, a economia de Salvador cresce apenas por inércia. Ora, como eu disse anterriormente, a política de atração de empresas do governo do Estado vai bem, anunciam-se investimentos privados de mais de R$ 20 bilhões, mas pouco, ou quase nada, vem para Salvador. No setor público é um pouco diferente, pois existem investimentos na Capital, a exemplo da construcão da Fonte Nova, da Via Expressa e outros, mas, proporcionalmente ao seu peso Salvador recebe muito pouco dos governos estadual e federal. Vale lembrar que bilhões que estão sendo aplicados em projetos públicos no interior, na Ferrovia Oeste-Leste, no Porto Sul, no projeto Salitre, no Gasene e outros, todos  passam ao largo de Salvador.  Isso deve melhorar com os projetos de mobilidade urbana para a Copa, mas por enquanto a falta de investimentos em Salvador impede um crescimento maior do PIB da Bahia.  É o contrário em Pernambuco, onde Recife é um canteiro de obras. Veja o Rio de Janeiro, o estado que mais cresce no país, quem está puxando esse crescimento são os investimentos na Capital. 

 


Salvador gera 25% do PIB baiano


B.E: Haveria um componente político nisso?
A.A:
 Não creio nisso. Aliás, a Bahia precisa deixar de tratar todos os seus problemas sob a perspectiva política. Isso é uma questão técnica, de planejamento ou da falta dele. É uma questão de estratégia. A Prefeitura de Salvador esqueceu que a cidade tem economia e que essa economia precisa ser estimulada. O governo do Estado precisa mudar sua visão sobre Salvador. A capital precisa ser prioridade na política estadual, independente de quem seja o Prefeito. É estratégico.  Algumas áreas do governo Wagner possuem uma visão moderna do processo de desenvolvimento. Refiro-me aos setores de infra-estrutura, a área de Indústria, Comércio e Mineração, Agricultura, Fazenda, Comunicação e outras. Mas ainda existe um núcleo atrasado. Por exemplo, predomina em alguns setores do governo do estado uma ideia equivocada que propõe uma descentralização burra rumo ao interior. Algo assim: vamos investir menos em Salvador para equalizar mais o Estado. É um erro. É deixar de agregar valor a 25% do PIB do Estado. O investimento na capital tem um efeito multiplicador muito maior, por conta do peso da economia metropolitana. Recife, por exemplo, representa 40% do PIB pernambucano. O Rio nem se fala. A descentralização tem de ser agregativa, ampliando a economia de Salvador ao mesmo tempo que se amplia a economia do interior. É mais lento, porém mais efetivo. É o que está acontecendo com São Paulo em relação ao Brasil: ninguém fala em parar de investir em São Paulo, pois senão o país pára. Na Bahia não se pode descentralizar de forma linear, pois aqui temos poucas cidades médias e o efeito multiplicador se pulveriza. 

B.E: Mas Salvador é uma economia com vocação para os serviços, o lazer e a cultura, talvez, por isso, os investimentos industriais não aportem aqui. 
A.A:
 Existem aí há duas questões. A primeira: se é uma economia voltada para o lazer, o turismo e os serviços, é preciso investir para potencializar a geração de PIB, de renda e de emprego nesses setores. Ora, se 63% do PIB baiano são gerados no setor de serviços e se esse setor localiza-se predominantemente em Salvador, é preciso investir nele.  É necessário estimular a vinda de centros de distribuição, estimular a  criação de polos educacionais, de polos digitais, potencializar o setor de equipamentos de saúde, investir na área portuária (como, aliás, vem sendo feito com os terminais turísticos do Porto de Salvador), realizar grandes eventos, colocar a cidade na agenda internacional de shows e seminários, investir numa casa de shows para cidade, realizar eventos culturais, trazer atrações internacionais etc.  A economia da cultura, por exemplo, gera bilhões no mundo inteiro, e poderia gerar toda uma economia ao seu redor em Salvador, mas nessa área os recursos do governo do Estado são pulverizados em  pequenos eventos atomizados pelo interior do Estado e os efeitos multiplicadores se perdem.  Potencializar a cultura de Salvador é potencializar o turismo na capital. Aliás, a área de Cultura e Turismo do governo do Estado  precisa urgentemente modernizar-se. A segunda questão é que as indústrias podem e devem se localizar na capital. Deveria haver uma política  de estado e municípios nesse sentido. Indústrias de ponta, indústrias não poluentes, podem ter incentivos para localizarem-se em Salvador.  O Parque Tecnologico é uma iniciativa importante nesse sentido. 

B.E: Com relação a outros setores como Agricultura, Comércio e construção Civil, qual a sua expectativa para 2012?
A.A:
 A agricultura vem crescendo de modo sustentado, apoiada no aumento do preço dos produtos agrícolas. O preço da arroba do boi, por exemplo, cresceu 50% desde janeiro de 2010. Além disso, os investimentos no agronegócio são expressivos e a agricultura familiar nunca teve tanta disponibilidade de crédito. A Construcão Civil também deve crescer, mas começa a procurar um patamar de estabilização. Após vender 18 mil unidades em 2008, metade do que vende São Paulo, o setor começou a buscar seu ponto de equilibrio que deve se estabilizar num patamar de vendas de 8 mil unidades/ano.  em 2012 os lancamentos imobiliários serão menores, para que seja possível desovar o estoque. O comércio teve uma leve desaceleração no terceiro trimestre, mas vai continuar crescendo, pois a classe C continua se expandidno. Assim 2012 deve ser uma ano de crescimento, mas tudo vai depender do tamanho da crise internacional.   

B.E: O que você destacaria na economia baiana em 2011?
A.A:
O avanço na política de atração de empresas. o governador tem o que comemorar nessa área e não se pode negar que ele liderou pessoalmente as negociaões para a atracão de novas empresas. A implantacão do Pólo Acrílico, por exemplo, vai alavancar a petroquimica baiana. o parque eólico baiano é uma relidade e coloca a Bahia na liderança do mapa enérgetico alternativo do país.  Os investimentos previstos para a Bahia entre 2010 e 2014 montam a R$ 30 bilhões e, se concretizados, vão alavancar o PIB estadual nos próximos anos. 

 
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