
BAHIA ECONOMICA – A greve da Polícia Militar (PM) pode comprometer o carnaval da Bahia?
PEDRO GALVÃO – Não acredito que o movimento grevista venha a comprometer o carnaval da cidade. O carnaval vai ser realizado. O que pode ser seriamente afetado é o número de turistas que já se prontificaram a vir para o carnaval de Salvador. Já detectamos que existem reservas que foram feitas para os hotéis da Bahia, mas que já foram direcionadas para outros Estados por conta da greve. Essa situação pode se agravar.
BE – Em sua opinião, quais os efeitos da greve da PM e do aumento da violência em Salvador para o turismo baiano?
PG – Sem dúvidas, os efeitos sociais são catastróficos. O declínio do setor de turismo é uma das conseqüências. Ninguém deseja curtir uma cidade que está sendo abalada pela violência, pela falta de segurança e que sofre muito em virtude da intensa degradação urbana e de outros aspectos negativos crescentes.
BE – O senhor acha que pode haver cancelamentos de pacotes turísticos e redução do número de turistas para o carnaval de Salvador?
PG – Claro, pode haver sim e nos próximos dias a gente vai ver a repercussão desses problemas que vêm afligindo a população. O turista quando vem à Bahia nessa época procura por lazer, tranquilidade, alegria, festas, comodidade, bons serviços. Todavia, circunstâncias adversas, tais como insegurança pública e degradação da cidade, representam um fator inibidor para o mesmo.
BE – Em 2011 o fluxo de turistas na Bahia se reduziu ou tem se mantido no patamar do ano anterior?
PG – Ainda não temos dados completos a esse respeito referentes ao ano passado. Mas trabalhamos com a estimativa de que permanecemos no patamar dos últimos números. Embora haja um esforço por parte do Governo do Estado para divulgar o turismo baiano, através das Feiras de turismo, é evidente que os pontos turísticos estão seriamente comprometidos. Além da violência e da degradação urbana da capital, há problemas antigos relacionados à mobilidade urbana que também contribuem para prejudicar o setor como um todo.
BE – Que fatores vêm contribuindo para tornar a Bahia e a sua capital menos competitivas no mercado de turismo?
PG – É notório que existem diversos fatores negativos, dentre eles, destaco o alto índice de violência, a sujeira da cidade e a grande deficiência no fator mobilidade urbana.
BE – Qual a sua avaliação sobre a política de turismo do Governo do Estado e como o senhor vê a atuação da Prefeitura de Salvador?
PG – A Secretaria de Turismo do Estado está desenvolvendo um trabalho maravilhoso. Por outro lado, a Prefeitura da cidade não está fazendo a sua parte frente aos graves problemas mencionados. O resultado disso é que o turismo de Salvador vem se tornando menos competitivo, menos atraente.