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O QUE VOCÊ ACHA DA CHAPA QUE A OPOSIÇÃO APRESENTOU PARA O GOVERNO DO ESTADO?

“Não é momento de criarmos pânico. A sensação de insegurança só prejudica o processo. Estamos lutando para reestabelecer o trabalho das forças de segurança”.
 
Maurício Barbosa
Secretário de Segurança Pública da Bahia


ECONOMISTA IGNACY SACHS - OS IMPACTOS DA RIO + 20




P: O que fazia à época da Rio 92? Recorda-se de algum episódio que marcou a conferência?
Ignacy Sachs:
 Eu participei de vários eventos paralelos da Rio 92. Se me recordo, ocorreu um seminário muito interessante em Curitiba; e fizemos também uma viagem à Amazônia com seminário em Manaus. Eu participei de várias atividades ligadas à conferência, dentro e fora dela. Eu diria que a parte mais viva e mais importante do Rio foi o que estava acontecendo na Praia do Flamengo e em vários lugares da cidade.
 
P: Quais países tiveram participação mais destacada na Rio 92? Como foi a participação dos latino-americanos?
I.S
:  Não tenho condições para responder por que passaram-se 20 anos e esse não era o foco da nossa análise. O que ocorreu de importante no Rio foi tudo aquilo que ocorreu fora da conferência oficial. A conferência lá, longe, na Gávea, com um cinturão de tanques e uma segurança muito reforçada para não entrar ao lado de dentro. Mas na praia do Flamengo havia uma série de atividades extremamente importantes e diversificadas. Desse ponto de vista, a Rio 92 segue muito bem a tradição iniciada em Estocolmo de 72, de que ao redor de uma conferência oficial das Nações Unidas passa-se uma segunda conferência da sociedade civil organizada. Estou certo de que isso vai acontecer; porém não sei dizer como vai acontecer, que proporção terá e, sobretudo, que diálogos sobre o que acontece na periferia da conferência oficial influenciarão a conferência oficial e quais os desdobramentos ocorrerão depois. Isto é a grande questão, é a nossa capacidade de caminhar para um diálogo político aberto no qual a sociedade civil organizada desempenha um papel relevante.
 
P: Quais foram os principais legados da conferência Rio 92?
I.S
: Da conferência Rio 92 surgiu a Agenda 21 que é um documento certamente importante. E surgiu também uma frustração porque a Rio 92 aconteceu na contramão da história; porque estávamos em um momento que se seguiu a implosão da União Soviética e uma enorme ofensiva do neoliberalismo. Por isso, acho que muitas das conclusões da Rio 92 não tiveram o avanço que mereciam por causa de uma constelação de forças políticas desfavoráveis.
 
P: Os rumos que o capitalismo tomou no final do século passado fez aumentar a pressão sobre o meio ambiente?
I.S: 
Obviamente se tivéssemos entrado depois da Rio 92 em uma fase de economias planejadas que contemplariam de uma maneira explícita os impactos não só sociais mas também ambientais, estaríamos melhor hoje; mas isso não aconteceu. Nós não saímos da Rio 92 com uma espécie de mega contrato social que necessitamos. Vale a pena lembrar que a Rio+20 vai acontecer em uma data redonda, de aniversário do nascimento de Jean-Jacques Rousseau [1712] e uma data também redonda da publicação do contrato social [1762]. Então, o grande problema é se conseguimos fazer da Rio+20 o ponto da entrada assumida em uma nova era geológica: o antropoceno; que na realidade começou com a revolução industrial. Atrás dessa entrada em uma nova era, deveríamos pensar em um mega contrato social no qual os Estados desenvolvimentistas, os trabalhadores e os empresários e a sociedade civil organizada estejam se articulando explicitamente.
 
P: Os BRICS podem ser bom jogadores na questão ambiental ou tendem a repetir modelos ultrapassados?
I.S
: Eu acredito menos no BRICS do que nos IBAs (Índia, Brasil, África do Sul), porque tanto a Rússia quanto a China tem visões que não coincidem necessariamente com a visão dos países emergentes do qual o Brasil e a índia são os dois abre-alas.
 
P: Brasil e Índia não seriam grandes “pecadores”?
I.S:
Todos os bípedes que andam por esse planeta são ao mesmo tempo pecadores e sonhadores. Não estou dizendo que só pelo fato de aproximar o Brasil e a Índia como os dois abre-alas do bloco dos emergentes, os dois países vão automaticamente, da noite para o dia, resolver todos os seus problemas internos. Temos que pensar primeiro a economia verde, mas uma economia que não perde dimensões sociais do problema. Temos que pensar a questão de um pacto político ao redor dos objetivos de um desenvolvimento que seja socialmente “includente” e não “inclusivo”. O prêmio Nobel indiano de economia Amartya Sen usa o termo em inglês “inclusioner”. Nós precisamos de uma marca para nossa ação no sentido de construir uma economia includente e, ao mesmo tempo, ambientalmente sustentável. Isto deve estar no centro de um pacto político entre as diferentes forças vivas de cada nação e entre um pacto internacional entre os Estados que abraçam esta filosofia. Portanto, este é o desafio da Rio+20, entrar nesse caminho, reconhecer que estamos na nova era, o antropoceno, que já estamos nela desde a revolução industrial mas tardamos em a reconhecer e definir, a partir disto, estratégias de desenvolvimento nacionais que convirjam com essa preocupação de sustentabilidade ambiental e de avanços sociais.
Para fazer isso, eu acredito que devemos voltar a planejar, ou seja, temos que recolocar na pauta das prioridades a questão de um planejamento, mas um planejamento que seja democrático, que seja com alto grau de planejamento das forças vivas de cada nação na formulação desses planos. Nós precisamos de um planejamento baseado nesse conceito de desenvolvimento socialmente “includente”, ambientalmente sustentável e organizado a partir de um diálogo quadripartite entre o Estado desenvolvimentista, os empresários, os trabalhadores e a sociedade civil organizada. Se dependesse de mim, eu daria aos Estados membros das Nações Unidas um tempo hábil, uns dois ou três anos, para que coloquem na mesa seus planos de desenvolvimento “includente” sustentável. Ao mesmo tempo, eu redobraria os reforços das Nações Unidas para gerar um verdadeiro e importante fundo de desenvolvimento “includente” sustentável.
 
P: Como poderia ser financiado esse fundo?
I.S:
Poderia ser financiado da seguinte maneira: primeiro, voltar a um compromisso, várias vezes enunciado da boca para fora, mas nunca realizado pelos países ricos, acrescentando a isso uma taxa sobre as especulações financeiras. Poderíamos acrescentar ainda um imposto sobre as emissões de carbono, que teria dupla função de frear as emissões exageradas de carbono que provocam o aquecimento global e gerar um fundo de desenvolvimento. Por último, começaríamos a cobrar pedágios sobre áreas e oceanos aos aviões e navios que os atravessam, partindo do princípio de que são patrimônio comum da humanidade. Quem utiliza, paga. Com essas quatro fontes seríamos capazes de criar um grande fundo de desenvolvimento “includente” sustentável administrado pelas Nações Unidas. Outra ferramenta indispensável são as redes de cooperação científica e técnica que se pautam por uma nova geografia. Não se trata de Norte-Sul, meridianos, mas trata-se de cooperação Sul-Sul, paralelos, para gerar o máximo de cooperação científica e técnica ao redor de biomas semelhantes, compartilhados por países dos diferentes continentes. Assim, ter uma rede de cooperação sobre a floresta tropical úmida como a floresta Amazônica, mas incluindo a floresta do Congo, as florestas da Indonésia e da Índia, e assim por diante. Formando uma geografia de cooperação cientifica e técnica por biomas, incluindo nessa visão um tema que é muito importante para vários países que é a interface solo-água; ou seja, ao longo dos litorais dos mares, ao longo dos rios, nos lagos naturais e artificiais, e sempre com uma visão comum do tema, e soluções diferenciadas. Como fazer com que a revolução verde avance do lado do solo e como conjugá-lo com a revolução azul dentro da água, ou seja, sistemas integrados de produção de alimentos e até de energia, nessa interface terra-água?
 
P: Qual sua opinião sobre o texto base da Rio+20?
I.S:
Eu não tenho uma posição e não quero me pronunciar sobre isto porque não creio que essa é a tônica da conferência, ou seja, já temos muitas organizações internacionais. Para mim a prioridade é definir uma estratégia e fazer com que as organizações existentes mudem no que for necessário por dentro para trabalharem na direção desejada, fechando umas agências e abrindo outras, em geral, leva a uma grande perda de tempo, energia e dinheiro. Ou seja, temos as comissões regionais, as agências substantivas, vocês acabam de eleger para a FAO [Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação] o José Graziano – digno sucessor da tradição de [médico e geógrafo] Josué de Castro [autor do livro Geografia da Fome, de 1946]; vamos usar as instituições existentes, adaptando-as. O importante é definir uma estratégia com objetivos concretos, dizendo quem faz o que, mais do que ficar pensando em novas instituições que forçosamente vão se chocar com as instituições existentes e vão dar lugar a um grande desgaste institucional.
 
P: O que o senhor espera acontecer na Rio+20 em relação à Amazônia e que papéis podem ter os países amazônicos, o Brasil e os demais, nessa conferência?
I.S:
Primeiro, é obvio que não há uma solução única. Do ponto de vista energético nós temos que trabalhar com três conceitos. Primeiro, sobriedade, ou seja, não gastar energia à toa. Segundo, eficiência; aprender a produzi-la bem. Terceiro, buscar alternativas quanto às fontes de energia; e a minha opinião é de como sair das energias fósseis tanto quanto pelo problema do aquecimento quanto pelo esgotamento das reservas de petróleo que vão nos obrigar a usar, por um certo tempo, o pré-sal (petróleo submarino) etc. Eu não digo para abrir mão disso, mas assinalo que são soluções relativamente limitadas pelo tempo, então temos que dar uma importância grande às energias renováveis. Nas energias renováveis, nós temos a maremotriz (que ainda não sabemos usar bem) e temos exemplos pequenos, como a eólica, que está vindo, mas que por si só não vai resolver o caso. Não podemos abrir mão da bioenergia. Ao considerar a produção de bioenergia vamos considerá-la junto a produção de alimentos e ver em que medida os objetivos do aumento da produção de alimentos podem ser harmonizados com a utilização dos resíduos da produção de alimentos para bioenergia. Enfim, como os dois objetivos devem andar de mãos dadas e pés juntos, a resposta é que não há uma solução única e temos que explorar todos esses problemas.
 
 
P: O senhor espera algum protagonismo dos países amazônicos além do Brasil?
I.S:
Acredito que o Pacto Amazônico veio para ficar e que o Brasil tem um papel extremamente importante pelo tamanho da Amazônia brasileira. Protagonismo na conferência propriamente dita, maior ou menor, eu não tenho elementos para julgar. Eu não abriria mão da ideia de que os países amazônicos têm que trabalhar conjuntamente o tema do melhor aproveitamento de seus enormes recursos naturais renováveis, sem falar do fato de que há na Amazônia reservas minerais enormes e que estão muito longe de terras exploradas que possuem riquezas naturais. A questão é como fazer isso respeitando os objetivos sociais, como fazer isso sem esquecer as populações indígenas que vivem na Amazônia. Nós temos sempre que pensar no tripé de objetivos sócios de prudência ambiental e de viabilidade econômica. A viabilidade se constrói pela ação dos Estados e dos povos, só que ao construir a viabilidade econômica devemos tomar todo cuidado para não fazer ele por um custo social excessivo e também todo o cuidado para não fazer por meio de uma incorporação predatória das riquezas naturais. Se a gente ficar atento a esses três objetivos articulados, eu acredito que vocês aqui, no Brasil e na América Latina, podem ainda não só avançar muito, mas criar modelos que terão um impacto muito positivo sobre o que poderá acontecer no futuro na África e em certos países na Ásia, abrindo sempre os olhos e dando a devida importância à troca permanente das experiências concretas e isso me permite me dar a sugestão de fazer um esforço muito maior para criar um intercâmbio de estudantes.

Entrevista concedida a ONG  WWF-Brasil

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