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QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A COBRANÇA DA TAXA DE FORO PELA PREFEITURA DE SALVADOR?

"Ele [Paulo Souto] deixou um Funprev, dos funcionários, deficitário. Eu tenho que colocar quase R$ 2 bilhões por ano para fechar as contas da Previdência. Se eu não tivesse o fundo que estou fazendo, eu poderia ter R$ 2 bilhões para colocar em obras".

Governador Jaques Wagner ao atribuir ao governo Souto as dívidas na Previdência. 


STEPHANE GARELLI – DIRETOR DO CENTRO DE COMPETITIVIDADE MUNDIAL, DO INSTITUTE FOR MANAGEMENT DEVELOPMENT (IMD)



P: – Quais são os principais desafios para as empresas no mundo atual, numa época em que os governos  se mostram incapazes de enfrentar questões como o endividamento do setor público e a recessão, afetando os negócios na economia real?
STEPHANE GARELLI - Nos últimos vinte anos, muitas empresas se autointitularam globais, dizendo que não eram mais nacionais, desconsiderando a relação com os governos. Os CEOs dessas empresas diziam que os políticos não oferecem perspectivas para os negócios. Mas isso está mudando: as empresas estão começando a redescobrir a importância de uma boa relação com o governo e com parlamentares, certificando-se se os seus pontos de vista estão sendo considerados pela legislação. Se você não lida corretamente com o processo legislativo, não pode ficar surpreso ou furioso quando perde algo. Sim, os governos têm problemas, e os políticos parecem seres de outro planeta. Mesmo assim, devemos trabalhar uma relação construtiva com a classe política, investir tempo e energia para encontrar parlamentares e debater com eles. Outro desafio é compreender que o mundo é global, mas é muito mais fragmentado do que antes. Muitos países estão crescendo como a China, mas outros enfrentam recessão. Há, também, os  que estão com inflação, como a Índia, e alguns enfrentam deflação, como Japão e Suíça. Não há mais um único modelo ou estratégia global. É preciso ter vários modelos para diferentes países. O momento requer mais sensibilidade para lidar com as pecualiaridades de cada país.
 
P: – Países, como o Brasil, já enfrentaram problemas, ao importar modelos que desconsideram particularidades locais. Isso está acabando?
GARELLI – Sim, e mesmo não só o Brasil é diferente, como  cada região brasileira é diferente da outra. São Paulo e Belo Horizonte são mundos distintos! Claro que há produtos globais, mas cada região tem uma característica.
 
P: – O senhor acha que o Brasil está em desvantagem em relação aos demais Brics, em termos de desenvolvimento?
GARELLI – Há uma grande diferença. China, Índia e Rússia estão próximos uns dos outros, geograficamente. Vocês estão em outro continente. Seus principais parceiros estão na América Latina e nos Estados Unidos, e agora começam a ter boa relação com a China. Mas a relação com ela só começou há dez anos. E vocês têm bolsões de competitividade no Brasil, como em São Paulo, com empresas de classe global. O desafio é balancear essa capacidade competitiva com as demais regiões do País.
 
P: – O Brasil perdeu duas posições no ranking de competitividade da IMD, divulgado em maio, passando do 44º para o 46º lugar, entre 59 países. Ao que o senhor atribui essa queda?
GARELLI – Houve uma conjunção de fatores que provocaram essa pequena queda. Em primeiro lugar, o real sobrevalorizado, e depois, a política de juros altos do Banco Central, no começo de 2011, que restringiu o consumo, em nome do controle da inflação. Houve, além disso, a política de expansão de crédito. As pessoas se endividaram, mas elas precisam pagar seus débitos. Agora, há mais cautela. Por isso a economia reduziu seu ritmo. Mas o Brasil voltará muito mais forte. Em resumo, o que houve foi um ajuste macroeconômico. O Brasil é muito poderoso. Estive em São Paulo, no ano passado, e o problema que os empresários locais me relatavam era a dificuldade de suprir a demanda.
 
P: – Mas os investimentos das empresas não cresceram junto com a demanda. Não há algo errado?
GARELLI – Essa discrepância entre investimento e demanda aconteceu porque as taxas de juros estavam muito altas e o real estava valorizado. Há, também, a complexidade de fazer negócios no Brasil. Tudo é difícil para tomar decisões. Há muita burocracia e isso afeta principalmente as pequenas empresas. As grandes companhias podem dizer: nós temos recursos para lidar com esses problemas. Mas as menores, não. E também há o fator da decepção com a demora dos efeitos das medidas tomadas.
 
 
P: – Diante do atual cenário, quais são os principais riscos para as empresas?
GARELLI – A crise financeira está tirando não somente a confiança das empresas, mas também a dos consumidores. Não há nada mais assustador do que perceber que o banco no qual você guarda seu dinheiro pode entrar em colapso. Isso é o mais terrível que pode acontecer num ambiente econômico. Porque se uma indústria vai à falência, perdem-se empregos, fecha-se uma empresa, mas está ali, não tem a ver diretamente com você. Mas, se o banco quebrar, pode afetar o seu dinheiro, e a sociedade começa a ficar preocupada. Assim, param de consumir porque temem perder suas economias. Precisamos ter certeza de que o sistema financeiro está trabalhando bem de novo, especialmente na Zona do Euro.
 
P:– E isso tem de ser rápido?
GARELLI – Se não nos mexermos rapidamente, o mercado vai se manter instável. E isso significa que a maioria dos bancos continuará deixando de emprestar dinheiro para as empresas. Mas elas precisam de recursos.
 
P:– O senhor acredita que a crise vai fazer os países repensar seus modelos de negócios, a exemplo dos EUA, que já falam em reindustrialização?
GARELLI – Sim. Sairemos da tese do protecionismo para entrar na economia nacionalista, o que significa que ainda estaremos num mundo de comércio aberto. Isso significa que teremos políticas de governo favorecendo empresas vencedoras em seus países, assegurando-se de que elas estão crescendo. Ainda precisamos de companhias ligadas a países, que representem o “made in”. A imagem de um país está muito conectada ao conceito de “made in”. O Brasil, por exemplo, tem a Embraer, a Vale, etc. São parte do que o País é capaz de desenvolver. O Reino Unido, por outro lado, era um país que desenvolvia muitos produtos. Hoje é difícil encontrar algo made in United Kingdom.
 
P:– A expansão dos setores financeiros e de serviços perde espaço?
GARELLI – Serviços e finanças precisam estar conectados à economia real, a algo tangível. Você precisa de mesa, de cadeira, precisa comer comida. Você não se senta numa conta financeira, não come serviços financeiros. Estamos cercados por produtos reais.
 
P: – O Brasil tem dado incentivos para estimular o setor produtivo, mas o efeito é limitado. Por quê?
GARELLI – Sim, mas por outro lado, o Brasil conquistou mercados na Europa, tem uma relação muito forte com a China, com a África. E, historicamente, há uma relação muito boa com os países latinos vizinhos e com os Estados Unidos. Veja o exemplo da Suíça, um dos poucos países que vão crescer no continente em 2012.  Há 20 anos,  votamos para não entrar na Zona do Euro. Todas as empresas suíças de pequeno e médio porte temiam que não pudessem operar no restante da Europa. Achavam que os mercados poderiam ser fechados em retaliação à negativa de entrar no bloco. Daí eles foram diversificar seus mercados, vender para a China, na África, na América Latina, em vez de crescer pouco, como na Europa. Não esperávamos, não planejamos isso, mas, por sorte, o medo nos fez ir para fora e deu certo. O Brasil pode fazer o mesmo. Vocês são uma economia jovem, dinâmica, têm muitos produtos. Diversificar mercados pode fazer a diferença. Vocês têm uma imagem incrível. Não fiquem dependentes da Europa, ou dos EUA.
 
P:– Quais mitos caíram com a crise de 2008?
GARELLI – O da chamada “superglobalização”, essa cadeia de valor extensa, em que se decide fabricar uma parte na China, outra na Índia, outra no Brasil, e montar tudo em um quarto país. Esse excesso de cadeia global está chegando a seu limite até porque os custos estão subindo em todos os países, e o argumento da economia perde força. Na Índia e na China eles sobem 20% ao ano. Podemos ser globais, mas precisamos ajustar esse modelo. Não precisamos estar tão longe do consumidor para fazer economia.
 
*Publicado originalmente na Isto É Dinheiro

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