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O QUE VOCÊ ACHA DA CHAPA QUE A OPOSIÇÃO APRESENTOU PARA O GOVERNO DO ESTADO?

“Eu tive que reagir mantendo a serenidade, mas com muita firmeza, com muito pulso, como fizemos” 

Jaques Wagner 
Governador do Estado falando sobre a greve da Polícia Militar no estado
 


ROBERTO MACEDO - ECONOMISTA DO ANO



P: As previsões do mercado dão conta de um crescimento do PIB abaixo de 2% este ano. O Brasil poderia crescer mais ou as condições externas estabeleceram esse patamar global em 2012?
Roberto Macedo:
 Neste ano o crescimento do PIB  já está quase que  definido perto dessa taxa pelas más condições externas e pelas dificuldades internas.  No conjunto, há dificuldades do lado da demanda (queda da internacional devido à crise, consumidores  locais retraídos por excesso de endividamento e inadimplência e empresários inibidos por expectativas desfavoráveis). Do lado da oferta, há as dificuldades enfrentadas pela indústria, a queda da safra agrícola de 2012 pela seca no Rio Grande do Sul, e a produtividade fraca. De ambos os lados, porque afeta tanto a oferta como a demanda, o problema crônico, a baixa taxa de investimentos da economia. Se em 2012 melhorar o quadro, não será grande coisa. Se não piorar ainda mais, já será alguma coisa.
 
P: Como analisa, depois de alguns meses, a guerra declarada pelo governo ao spread bancário?
R.M:
Em que pesem minhas divergências em relação a vários aspectos da política econômica, no caso da monetária sou a favor dela no que diz respeito à redução da Selic, à guerra ao spread bancário e à utilização de medidas macroprudenciais. A redução da Selic vem ocorrendo, mas na ponta dos tomadores de crédito os juros não vem caindo de forma significante, exceto em segmentos de baixo risco, como no crédito consignado. Isso  indica que a guerra do spread é muito mais difícil, conforme se esperava.  Os bancos não estão a fim de perder rentabilidade e nessa guerra é preciso garantir  a segurança deles. Um passo importante seria o governo  avançar na parte que lhe toca do spread, em particular os impostos e os compulsórios. Ele não fica bem na foto só querendo que os bancos reduzam suas margens. Há também a “margem governamental” por reduzir.
 
P:  O que acontecerá se o governo perder essa guerra em termos de gestão do sistema financeiro?
R.M:
Essa será uma guerra demorada; o governo poderá perder algumas batalhas, mas não pode desistir da guerra,  nem de fazer seu próprio esforço para reduzir o spread.
 
P:  Como analisa o cenário externo? Teremos ainda maiores impactos no Brasil?
R.M:
 Tanto ou mais que o tamanho do impacto,  é  importante a duração desse cenário externo negativo. O centro do furacão continua na Eurozona, onde sempre se avança um pouco, mas tudo com muita lentidão em face da dificuldade de lidar com países que permanecem soberanos em muitas decisões, em particular na aceitação de pacotes indigestos, como na Grécia, Espanha e outros países, e na indisposição da Alemanha em se comprometer com uma ajuda sua mais abrangente, ou de aceitar que o Banco Central Europeu vá mais  no seu socorro a bancos e governos. Essa crise não é tão forte quanto a de 2008-2009, mas tudo indica que terá durabilidade maior, o que pode levar a uma soma de efeitos ao longo do tempo superior à da crise anterior.  Meu radar continua sem mostrar um ponto indicativo de término da crise na Eurozona.
 
P: Como o governo poderia se preparar para obter um crescimento melhor em 2013 e 2014?
R.M:
 O governo precisa definir e executar um plano estratégico onde o papel central esteja na ampliação substancial da taxa de investimentos da economia relativamente ao seu PIB. Dado esse objetivo, deveria identificar todos os obstáculos que se antepõem ao alcance dele, e fazer um enorme esforço de superá-los. É um conjunto que vai desde as dificuldades que impedem o próprio governo de expandir  seus  investimentos  até aquelas que desestimulam  o setor privado a fazer o mesmo. Várias delas  dependem de soluções governamentais, como nos casos da alta carga tributária, das carências da infraestrutura, da lenta emissão de licenças ambientais, da indisposição governamental quanto à concessão de serviços públicos e por aí afora.  E há uma questão de mentalidade: é preciso abrir o país para negócios que geram valor adicionado, começando por não se indispor com ou atrapalhar quem se empenhe em fazê-los.


* Roberto Macedo receberá o prêmio de Economista do ano da Ordem dos Economistas do Brasil no dia 31 de julho. Entrevista originalmente publicada no site Poder Econômico.


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