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QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A COBRANÇA DA TAXA DE FORO PELA PREFEITURA DE SALVADOR?

"Não haverá recessão neste ano. Quem está falando em recessão, está equivocado".

Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar economia brasileira.


 


ROBERTO SANTOS - EX GOVERNADOR DA BAHIA



Bahia Econômica – Como o senhor está vendo esse momento do Brasil em que o presidente Lula se despede com muita popularidade e entra a nova presidente, Dilma Rousseff.
Roberto Santos –
 Em primeiro lugar queria registrar a satisfação de estarmos conversando. Eu acompanho seu trabalho em A Tarde e já tivemos oportunidades, por uma série de afinidades, de estarmos juntos em várias ocasiões. Mas realmente o Brasil está numa fase extremamente interessante do ponto de vista do seu significado histórico, pois nós vemos que o país está dando oportunidades a uma grande parte da população que se ampliou muito em relação ao que havia sido no passado, mas ao mesmo tempo é preciso que haja uma preocupação constante com a sustentação de um período como esse porque sempre surgem alguns problemas que tendem a exigir uma atenção especial por parte dos governantes e da sociedade em geral. O que temos visto é que houve o acesso de uma parte da população para uma faixa de renda  que consegue usufruir de bens e valores que realmente permitem uma qualidade de vida melhor. Tomando como exemplo uma fase mais recente da nossa história, posso dizer que houve uma redução daquela inflação galopante que durante algumas décadas prejudicou a vida dos brasileiros e era objeto de praticamente todas as conversas que existiam em certo nível de conhecimento da vida e da história da nossa população. Sabemos que essa inflação foi contida. O ministro Pedro Malan - do governo de Fernando Henrique Cardoso - teve uma grande parcela na sustentação das providências que foram necessárias e com muito êxito porque realmente foi possível conter aquele descalabro e que durou muito mais tempo do que seria desejado. O governo Lula manteve essas providências, felizmente. Com isso, foi possível cuidar de outros aspectos da qualidade de vida da população, dentre eles, essa distribuição de recursos que permitiram um acesso mais rápido a condições de vida melhores do que as anteriores. Isto, no entanto, tem um preço. Isto tem que ser acompanhado de forma competente por quem conhece os fundamentos da economia brasileira e por quem tem coragem para enfrentar algumas medidas que podem se tornar necessárias antes que essas providências que estão em curso agora nos últimos anos venham a exigir mais da economia do país do que vinha sendo em outros tempos. Então, estamos nessa transição. O  Lula é um excelente comunicador - todos nós sabemos que ele fala o que a população quer ouvir e precisa ouvir. Ao longo desses oito anos, ele soube se comunicar com a população de modo que assegurou esses índices de popularidade que são bem altos. E escolheu uma pessoa que está agora sendo testada.
 
BE – Eu queria falar agora sobre a Bahia. O seu governo foi marcado por muitas realizações, muitas obras. Quem passa por Salvador hoje vê o Centro de Convenções, vê o hospital Roberto Santos, enfim. Como um governador operoso, como o senhor vê hoje a Bahia e o governo de Jaques Wagner?
RS –
Nós estamos vivendo um clima político que por sua vez tem tão grande influência sobre a qualidade de vida dos baianos que constituiu realmente uma melhora em relação ao que nós atravessamos durante muitos anos. Eu digo isso sem nenhuma preocupação de está exagerando porque muitos foram os que observaram e os que foram parte do clima que prevaleceu entre nós durante muitos anos e que dificultou a evolução dos costumes políticos daqui da nossa terra. Felizmente, num certo momento, o governador Jaques Wagner se candidatou ao governo do Estado no momento em que havia já certo cansaço do clima que vinha prevalecendo ao longo dos anos que foi simultâneo com o grande sucesso que teve o candidato Luís Inácio Lula da Silva para a presidência da República. Houve então essa eleição em que o candidato do PT, Jaques Wagner, teve uma votação extraordinária e permitiu que ele assumisse o governo com a primeira condição de modificar intensamente os hábitos da política baiana que haviam prevalecido até aquele momento. Para uma grande parte da população da Bahia, isso tem sido muito benéfico. Nós estamos vivendo condições de hábitos políticos que são muito mais saudáveis do que havia até há pouco tempo. O governador Wagner, ao mesmo tempo, é uma pessoa de trato muito fácil, de percepção muito aguda de quais são os problemas do estado e de como enfrentá-los e está fazendo o máximo que podia fazer nesse seu primeiro mandato diante de alguma dificuldade que ele encontrou desde o princípio, sobretudo, em relação a projetos que fossem de magnitudes suficientes para atingir em profundidade as condições de vida do baiano. Mas ao longo desses primeiros quatro anos, ele foi identificando condições de realização que seguramente farão do segundo mandato uma fase muito mais proveitosa para a vida do país do que até mesmo haviam sido aqueles primeiros anos em setores diferentes. Nesse primeiro mandato, o grande trabalho dele esteve relacionado aos hábitos políticos que vinham prevalecendo na Bahia. As suas realizações ficaram aquém daquilo que ele tem condições de fazer. Agora ele está com todas as informações, com toda colaboração dos seus secretários e apontam para um volume de realizações bem maiores do que foi no primeiro mandato. Com isso, acredito que a Bahia venha a usufruir dentro de pouco tempo de condições de vida que não só atinjam as populações das cidades maiores, mas que se estendam também àquilo que tem constituído a prioridade maior, segundo as declarações dele, mesmo nas populações mais pobres do interior e das cidades maiores.
 

 

 
BE – Qual a expectativa do senhor em relação ao governo Dilma?
RS –
Eu acredito que ela tenha algumas qualidades que até serão mais promissoras no governo que se inicia do que àquelas que o presidente Lula revelou durante o seu período. Por exemplo, ela parece ser uma pessoa mais coerente com certos princípios de exercício da política. Mas, ao mesmo tempo, ela não tem nem de longe aquela capacidade de comunicação que foi um dos atributos mais fortes dos dois mandatos do presidente Lula. Como vai resultar isso no final? Só mesmo a vivência desses próximos anos poderá dizer. Nós estamos vendo já nos primeiros dias os embates quanto à organização da equipe. O primeiro escalão atravessou sem que houvesse maiores dificuldades. Mas já na escolha do segundo escalão as dificuldades são evidentes. Ninguém pode ignorá-las ou escondê-las. É provável que ela consiga superá-las evitando que haja problemas no congresso antes mesmo da escolha dos presidentes da Câmara e do Senado, enfim, certas providências iniciais, quando recomeçar o funcionamento do congresso, talvez ela consiga contorná-los.
 
 
BE – O senhor acha que o PMDB, com a sua vontade de ter cargos, pode atrapalhar o governo da presidente eleita?
RS –
Sem dúvidas. Há coisas que nos assustam um pouco quanto a isso. Uma delas aconteceu há pouco tempo, ainda na gestão do presidente Lula, que foi esse aumento da remuneração dos deputados e senadores para igualá-los aos ministros do Supremo. Se não se tivessem notícias de que a inflação está sob certa ameaça e que o governo tem que estar atento a problemas como o da previdência e outras reformas que não foram feitas... Mesmo sabendo que as finanças do país não podem estar assim tão soltas - nossos parlamentares não hesitaram em assumir mais uma despesa e foi muito além do que seria razoável. Isso já é um sinal de que o dirigente maior, que é o presidente da república, tem que estar muito seguro, muito firme em relação a outras despesas que poderão sobrevir e que não sejam de absoluta necessidade para que o país vá em frente e para que a população continue nesse ritmo de melhora da sua qualidade.
 
 
BE – O senhor foi governador e ser governador não é fácil, ainda mais na atual conjuntura, bem como na conjuntura do seu tempo. Haveria uma grande diferença entre ser governador hoje e ser governador no seu tempo? Como o senhor faria um paralelo entre o seu tempo de governador e o tempo atual?
RS –
Eu creio que as diferenças não são tão grandes assim. Nós sabemos que as condições políticas no tempo em que eu fui governador eram condicionadas por um governo muito forte do ponto de vista de diretrizes políticas ou algumas delas. Era um período em que a economia do país estava crescendo, mas ao mesmo tempo era um período em que havia algumas dificuldades quanto à gestão das questões de segurança por conta do princípio que prevalecia na época de que era um governo chefiado por militares e que era um governo forte. O fato é que a política nunca deixou de existir no Brasil, mesmo naquele período. Há uma política municipal condicionada por convívio entre famílias que disputam acesso às oportunidades que o Estado oferece. Esse convívio continua existindo. As disputas municipais continuaram muito fortes. Isso se reflete no dia-dia da vida do governador. Nós enfrentamos aquela situação curiosa em que havia o chamado partido do governo com representação muito grande no legislativo estadual, Câmara e Senado. Porém, tudo isso baseado em disputas municipais que eram muito intensas e que o governo do Estado tinha que acompanhar e procurar equilibrar. Então, do ponto de vista político, essa atividade de governador sempre foi muito exigente e muito trabalhosa. Por outro lado, o importante era que tivéssemos projetos que viessem a ser aprovados pelos órgãos federais. Os recursos federais fluíam com bastante regularidade e permitiam a realização de um número bastante expressivo de obras em todo Estado.
 


BE – O senhor falou na questão municipal. Como o senhor vê a situação da capital baiana hoje?
RS –
Nós que somos de Salvador percebemos que há um grande tumulto na vida da cidade. As coisas não estão se encaixando umas com as outras e o resultado é que a população está percebendo isso e sofrendo também por causa disso. Qual vai ser a saída? Eu não sei. Mas o fato é que a vida da cidade, do ponto de vista da condição de seu destino, está muito tumultuada.
 
 
BE – O senhor acha que o futuro da Bahia em termos econômicos está mais para agricultura? Está mais para a indústria? Ou é uma mistura  disso? Como o senhor vê hoje a economia baiana?
RS –
Eu creio que a Bahia se atrasou muito no desenvolvimento do seu progresso científico e tecnológico. Durante muitos anos isso não foi cuidado como deveria ter sido. No mundo de hoje a competição se tornou extremamente exigente, especialmente nas áreas do progresso científico e tecnológico. A Bahia viveu durante muitas décadas baseada em uma economia agroexportadora em que o cacau tinha um papel bem mais importante do que outras atividades. Nós sabemos que, infelizmente, a praga da “vassoura de bruxa” dificultou muito a receita que vinha da produção e exportação de cacau. Isso tornou ainda mais importante que nós tivéssemos nos adiantado em relação ao desenvolvimento de fontes de receita que se baseiam no progresso científico e tecnológico. Uma das características desse período do qual estamos saindo foi exatamente o descaso em relação a esse desenvolvimento. Cito como exemplo o Museu de Ciências e Tecnologia que foi um avanço de grande porte para a juventude baiana, porém, ele desapareceu durante 30 anos das cogitações do governo do Estado. Isto é apenas um exemplo. A famosa questão de como o Brasil está atrasado referente a depósito de patentes para atividades econômicas envolve a Bahia que ficou completamente ausente de cogitações como essa.
 
 
BE – Eu gostaria de ouvir agora as suas palavras finais.
RS
– Eu continuo muito atento ao que tem acontecido na Bahia quanto aos seus costumes políticos, quanto à evolução da sua economia, particularmente quanto às questões de educação e saúde onde se situam as minhas preferências de longa data. Depois de ter me dedicado intensamente à vida pública nesse Estado, estou agora mais recolhido. Estou com uma idade relativamente avançada. Portanto, estou acompanhando, porém, com uma participação não tão intensa como antes.
 
 
 
 

 
 
 

 

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